22/01/2013

INTRODUÇÃO O perfil de leitor do professor de leitor do professor de Educação Básica II O presente artigo levanta um diálogo sobre as leituras realizadas pelos professores, não procura qualificar ou desqualificar, pretende dar voz ao sujeito-leitor-professor através de suas respostas às entrevistas, revelando, assim seu perfil de leitor. Se os sujeitos, em geral, na sociedade são considerados como não-leitores, o professor também é incluído nesta lista. De maneira geral, se os sujeitos são considerados por alguns segmentos como não-leitores, o professor da Rede Pública de Ensino também é incluído nesta lista. Há quem o considere um leitor sem consistência, desconsiderando e desqualificando suas leituras e seus referentes enquanto leitor. 1- Leitura e leitores Adentrar na temática da leitura requer que o olhar se desloque do local para o global e se busque a compreensão do macroestrutural, ou seja, o discurso da legislação e da alta burocracia, dos ideólogos e dirigentes políticos da educação e até mesmo de organismos internacionais, para a compreensão do tema. Ainda mais quando se fala do professor e da própria história da profissão, dos graus de letramento de cada sujeito, das práticas de leituras. Pensar o comportamento dos sujeitos-professores na atualidade e focar na importância de se refletir sobre o acesso ao saber na contemporaneidade e seu processo de legitimação, nas questões culturais implicadas, dentre outros aspectos. A preocupação na verdade é com o viés cultural que a leitura de variados gêneros e suportes proporciona aos sujeitos. Neste sentido, cabe destacar um conceito de leitura que subsidia as reflexões do estudo: A leitura é antes de mais uma decifração de códigos de linguagem das cifras utilizadas, o contacto possível com os códigos que a condicionam e o entendimento das situações humanas que a linguagem reverte e subverte-porque na materialidade da cifra , na marca cultural do código, se encontram logo os dados iniciais de formulação da descoberta que a utilização individual, personalizando, concretiza estatutariamente em conceptualização humana. (Seixo, 1976, p.9) Toda leitura se converte numa atualização constante, ultrapassa a fase de apreensão maquinal, deslocando para uma progressiva efetivação. A cada leitura cria-se novas necessidades de leituras, daí a importância do sujeito na prática de ler. Quem atualiza o texto é o leitor. É uma prática social, portanto precisa ser apreendida, ensinada, necessita de inteligência. Ainda Seixo; É a vida comum que nos cria a necessidade de ler; ler os outros, ler a nossa disposição para os outros , ler o texto comum que nós e os outros escrevemos de todos para todos. Se escrever é viver, ou vice-versa, isto é, produzir materialmente um sentido literal da existência em processo original, ler será seguramente a objectivação, em ordem , de tal processo con-fuso, a sua dilucidação , a iluminação da significação sobre a comunicação. (Seixo,1976,p.10) A subjetividade é construída com base nas heranças recebidas no passado e com as reflexões sobre temas da atualidade, com as quais temos acesso simultâneo aos acontecimentos ou com um passado não muito distante. Essa necessidade de ler é constante, pois ler é compreender, é saber, mostra a pluralidade não somente da escrita e sua importância para a formação dos sujeitos. A leitura carrega dois movimentos paralelos: um emancipatório, que permite a autonomia do sujeito e outro um exercício de dominação, quando manipulada de forma ostensiva. Assim, há dois níveis de leitura: aquele em que o leitor elabora reflexões sobre o que lê e outro em que o leitor apenas pratica a leitura passivamente, recebendo informação como verdade única. O presente estudo teve como finalidade realizar pesquisa em torno do universo cultural do professor da Rede Pública de Ensino, especificamente sobre os hábitos de leitura, analisar como essas experiências de leitura realizadas pelo professor se vinculam ao discurso pedagógico no que se refere à eficácia. As reflexões iniciais para a elaboração deste projeto tiveram sua origem em observações da pesquisadora realizadas em Cursos de Educação Continuada tais como: Projeto Teia do Saber, Ler e Viver, Ler e Escrever, estação da Luz a Nossa Língua Portuguesa, oferecidos pela Secretária de Estado da Educação aos professores da Rede Estadual de Ensino, como participante e como professora. O que foi possível observar é que o professor lê, no entanto a leitura realizada pelo professor, em sua maioria, está fora do padrão oficial pensado para quem seja possuidor de formação em Ensino Superior. As observações iniciais conduziram para alguns questionamentos: em que medida o professor – não leitor, constrói o aluno leitor? Ou ainda: em que medida a leitura do professor passa pelas práticas em sala de aula? Sobre esta questão, vale destacar as afirmações de Corrêa: O reconhecimento dos alunos futuros professores e professores de Educação Básica como leitores despreparados revela um distanciamento em relação ao modelo de leitor com o qual os professores universitários operam, ou seja, o de um leitor que possui certas competências e disposições para a leitura que o tornam preparado para ingressar no mundo da leitura da universidade. Nesse sentido, toda a experiência com a leitura que os alunos acumularam antes de ingressar na universidade não condiz com o modelo de leitura e de leitor que os professores esperavam encontrar em suas salas de aula. (in Silva L., 200l p.35). Essas considerações remetem a alguns pontos próprios do contexto social no qual esteja inserido: o professor traz consigo marcas da cultura do cotidiano. Muitas vezes é apenas um consumidor de informações e não realiza o filtro necessário sobre o que recebe. Sua postura é de um leitor passivo, assimilando e não realizando reflexões sobre o que recebe, principalmente sobre os diferentes níveis de linguagem nos quais se materializam as informações e produções culturais. Neste contexto, outra questão se torna importante: o professor enquanto aluno, na maioria das vezes, é fruto de um processo educacional que não o forma como leitor qualificado às reflexões. Em decorrência, reproduz o que recebeu. Como se tem observado, a massificação do ensino provocada pela visão neoliberal de educação e expansão do conhecimento, gerou uma crise na educação nas últimas décadas do século XX e, conseqüentemente uma crise na leitura. Sobre este aspecto, vale lembrar as considerações de Zilberman: Uma história social da leitura não pode evitar a revelação dos aspectos contraditórios que revestem, não a prática de ler enquanto tal, mas a política que patrocina sua expansão. De um lado, avultam os interesses econômicos e ideológicos: as necessidades do mercado cultural, produtores de obras para serem absorvidas e rapidamente substituídas por outras, num primeiro impulso à massificação; e a importância da afirmação das noções liberais promulgadas pela burguesia que, por esse meio, reivindica um lugar no elenco social que disputa o poder. De outro as conseqüências indiciam que o processo nem foi homogêneo sempre, nem esteve totalmente sob controle: a escola enfatiza a alfabetização e esta se torna um direito, inalienável reclamado por todos os segmentos da população e sonegado por alguns, quando se trata de garantir o arbítrio de um grupo sobre os demais. (Zilberman,1986, p.14) Assim, a socialização dos bens culturais pode ser garantida pela escola, uma das instituições que reforçam a legitimação desses bens, no entanto ao desconsiderar outros modos de ver e ler o mundo, a cultura e o ambiente, a escola produz sujeitos afastados da leitura crítica, criativa e principalmente emancipatória. Os discursos pedagógicos da atualidade têm a leitura como um objeto de valor primordial, mas na prática o discurso se traduz na ineficácia. O modelo de educação que temos, apesar das ações realizadas, não consegue incentivar a leitura, seja pelos aspectos físicos dos ambientes onde elas se realizam, seja pelos métodos que centram o ensino da leitura e da escritura somente nos livros ou livros-textos, esquecendo-se que os leitores são sujeitos plurais, portanto leitores plurais. A sala de aula é local inadequado para se ler, há livros disponíveis, mas a dinâmica da escola não permite a interação com outras mídias (internet, réplicas de obras de arte, DVDs, vídeos, etc), muito menos com a cultura oral, fatos que dificultam a leitura a ser realizada na escola. Segundo Andrade (2001), na universidade quem decide o que os alunos irão ler são os professores universitários. Nos cursos de formação de professores todos trabalham com leitura e estas leituras já estão pré-determinadas pelos professores que já reservam cerca de 50% do total das aulas para leitura de textos ligados à área de formação. A universidade supõe que os alunos futuros professores já saibam ler e escrever com proficiência. O problema preocupa todos os setores que atuam na educação, mas as ações não geram os resultados esperados, uma vez que a questão é mais ampla. Também Lyotard destaca o processo de desmoralização e desvalorização do profissional da educação: A desmoralização conseqüentes dos pesquisadores e dos professores é fato importante, tanto que veio à tona. Como se sabe junto àqueles que se destinavam a exercer estas profissões, os estudantes, ao longo dos anos 60, em todas as sociedades mais desenvolvidas, e veio tardar sensivelmente, durante este período, o rendimento dos laboratórios e das universidades que não conseguiram evitar a sua contaminação... (Lyotard,1990) O futuro professor, ao ingressar na universidade, é aluno e como tal sujeito de uma sociedade marcada pela indústria do entretenimento, pelas imagens e distantes de uma conexão com a cultura letrada. De um lado, uma valorização da leitura e da cultura do livro e de outro a sociedade passando por uma profunda reorganização do mundo das linguagens e das escrituras e conseqüente transformação dos modos de ler. As escolas têm em seus currículos, para todos os cursos superiores, disciplinas voltadas à Leitura e Produção Textual, ainda que haja as escolas acabam não prestando atenção a estas transformações e segregam outras formas de cultura. No entanto os jovens futuros profissionais estão imersos nesta sociedade e sentindo pouca ou nenhuma ligação da escola com o movimento da sociedade se tornam leitores despreparados, produzindo uma desordem conceitual do que seja ler. Daí o caráter ambíguo da leitura que ao mesmo tempo em que é convertora dos valores da escrita é também demonstradora do seu plural. Tem-se pluralidades de possibilidades de modos de expressar o mesmo tema, além de formas de convencimento ou esclarecimento. Através dos mais variados gêneros, dependendo das intenções e da sociedade em que está inserida e de suas necessidades. Para Lyotard (1985), nas sociedades modernas o saber muda de estatuto, a multiplicação de máquinas informacionais afeta a circulação dos conhecimentos do mesmo modo de que a circulação dos homens (transportes), dos sons e, em seguida, a das imagens o fez. Essa rapidez e fragmentação das informações desvinculam cada vez mais a aquisição do saber da formação do espírito, e mesmo da pessoa, e o saber se transforma em produto, em bem. A mercantilização do saber não deixa intacto o privilégio que os Estados-nações modernos detinham e detêm ainda no que concerne à produção e à difusão do conhecimento, tudo é produto de consumo. Sem ignorar que enquanto transmissão de conhecimentos a sociedade conta com dispositivos de armazenamento, classificação, difusão e circulação muito mais versáteis, disponíveis e individualizados do que a escola e eficientes tanto em relação à propagação dos bens simbólicos que vendem a ideologia do capital, como em relação à produção de materiais impressos para consumo imediato e de maneira facilitada. A sociedade não progride a não ser que as mensagens que nela circulem sejam ricas em informações fáceis de decodificar para atender as diferentes formações de seus sujeitos. Um bom exemplo de linguagem simplificada são os livros de auto-ajuda, narrativas simples de histórias psicografadas. No entanto, o bom leitor lê qualquer tipo de linguagem (visual, musical, oral, da internet, hipertextos, etc), pois é por essa pluralidade de escritas e leituras que passa, hoje, a formação do sujeito-leitor. O professor também sujeito desta sociedade, muitas vezes pouco crítico, e nem sempre com consciência de sua importância social, após algum tempo se acomodará e aceitará como natural ser um cidadão que pouco lê. Mas há sujeitos que preferem um poder querer fazer do magistério uma profissão para a qual precisam lançar mão de ferramentas específicas para determinadas situações –problema, então vai precisar de um saber-fazer que só é possível através da atualização constante e da leitura de textos relativos a sua área de formação. Na sociedade atual este desejo é necessário e urgente, como destaca Trocmé Fabre: A confusão conceitual na qual se encontram os mundos do trabalho e da educação faz com que surja a urgência de propor: acima dos referenciais das diferentes profissões, os elementos de um referencial cognitivo que completem, de modo proveitoso, a busca de coerência, de pertinência e de eficácia, daqueles ou daquelas que buscam construir um percurso profissional. Eles sabem que seu percurso profissional não pode ser vivido fora de seu percurso pessoal. (Trocmé-Fabre, 2004.p.10) Daí a importância desse querer-poder-fazer, pois o desejo parte de dentro de cada um e os percursos diferentes são traçados a partir destes referenciais. O Destinador deveria ser os cursos de formação, mas muitas vezes isto não acontece. Neste sentido, torna-se relevante a afirmação de Hall sobre a crise de identidade contemporânea: Um tipo diferente de mudança estrutural está transformando as sociedades modernas no final do século XX [...]. Estas transformações estão também mudando nossas identidades pessoais, abalando a idéia que temos de nós próprios como sujeitos integrados [...] Esse duplo deslocamento-descentração dos indivíduos tanto do seu lugar no mundo social e cultural quanto de si mesmos - constitui uma crise de identidade para o indivíduo. (Hall, 2005, p.9) Estas transformações geram sujeitos professores divididos entre a competência técnica e profissional e a docência tradicional vista como vocação, dom, doação. Como se observa, há um distanciamento do leitor-professor no que diz respeito à atualização de leitura sobre sua área profissional e também referente às linguagens mais modernas. Diante disto, é importante pesquisar, identificar, compreender que tipos de textos são lidos por eles e como lêem estes textos, além de revalorizar as suas práticas de leituras e de produção de textos. Ter em mente que o professor, como os demais profissionais das diferentes áreas do conhecimento, são possuidores de uma forma de leitura que é a gerada pela sociedade na qual estamos todos inseridos. Entretanto o professor é o formador, cabendo a ele uma reflexão que leve em consideração o estatuto discursivo de sua profissão, suas necessidades e ferramentas. 2- Descrição da pesquisa Diante do exposto, a problemática do projeto pode ser sintetizada da seguinte maneira: o professor, enquanto sujeito da sociedade contemporânea, sofre as influências próprias da cultura a qual pertence. As práticas de leituras estão condicionadas aos mesmos fatores que marcam as leituras de outros profissionais. Certo é que são muitos os pontos sobre os quais inside a problemática do estudo em questão, bem como para as hipóteses em torno dela. Neste sentido, têm-se como hipóteses desta pesquisa: I-Se o aluno futuro-professor ou o professor de educação básica II de Língua Portuguesa possui fortes registros da cultura de massa, é necessário que ele tenha a cultura de formação para tornar seu trabalho mais eficaz; II-Se o professor é um mau leitor, ou por achar que ler por obrigação é ser um não-leitor acaba criando uma imagem mitificada de que ser leitor é somente possuir a cultura do livro, ler todos os clássicos, científicos, filosóficos. Cria-se um mito em torno do tipo de leitor que o sujeito deve ser; III - Se o professor não for reflexivo e responsável socialmente terá dificuldades em atuar e atender as exigências da complexidade da sociedade contemporânea; IV-Se o professor é leitor pode iniciar uma mudança dos modos de ver e ler na sala de aula. Trata-se, então, da pesquisa do perfil cultural dos professores de Educação Básica do ensino Fundamental II de Língua Portuguesa da Região de Mogi das Cruzes, para a qual se propôs os seguintes objetivos: I-O objetivo principal deste projeto é identificar quais os gêneros textuais que os professores lêem; II-Analisar de que maneira o perfil de leitor do professor determinado pela tipologia textual pode mediar à leitura do texto acadêmico e de outros gêneros mais complexos. Quanto à metodologia de trabalho, a pesquisa foi realizada em três etapas. Primeiramente foi realizado um estudo sobre a Teoria da Leitura. Em segundo momento, realizou-se uma pesquisa de campo entre os meses de junho e setembro de 2008, envolvendo as práticas de leitura de um grupo de 35 professores de Educação Básica II de Língua Portuguesa, de dez escolas da região central e periférica da Diretoria de Ensino de Mogi das Cruzes. Num terceiro momento, houve a confrontação dos resultados da pesquisa de campo com os aspectos conceituais estudados. 3- Perfil de leitor do professor O motivo da pesquisa com os professores de português foi trazer para o presente estudo o diálogo entre pesquisador e professores. Este diálogo, ainda que singelo, com os professores teve a intenção de dar voz a estes sujeitos. Os dados obtidos nestas entrevistas revelam através das respostas dadas o perfil de leitor do professor de português de educação básica da Região de Mogi das Cruzes. O objetivo principal deste estudo é apresentar os resultados da pesquisa de campo e analisa-los a luz da discussão teórica apresentada, utilizando-se para as questões abertas do questionário a Análise do Discurso segundo Pêcheux, onde se pretendeu estabelecer o diálogo com o professor de educação básica II. O grupo de professores pesquisados em sua maioria possui de 5 a 10 anos de magistério (cerca de 65%), este grupo recebeu grande influência dos cursos de capacitação da Rede Pública do Estado de São Paulo sobre a importância da leitura para a formação dos futuros cidadãos. Além da implantação do currículo atual , vivenciou outras iniciativas do governo como o Projeto Teia do Saber, Ler e Viver, Ler e Escrever, Estação da Luz a Nossa língua Portuguesa, fatos que tiveram implicações na formação do professor , como também no seu nível de relação da rede pública estadual com a formação de professores em relação à cobrança de resultados nos exames que exigem proficiência leitora e escritora. Os resultados da pesquisa revelam que a leitura está presente no cotidiano dos professores: 51% como uma ação prazerosa; 43% afirmam que ambos, tanto prazer como necessidade profissional e apenas 6% revelam que a leitura está presente em seu cotidiano como necessidade profissional. É importante destacar o interesse e a preocupação dos professores pela leitura e que atribuem a ela um caráter de prazer. O que os docentes apontam como resposta, representa de certa forma influência dos cursos de formação da rede e das universidades que direcionam para uma metodologia de trabalho com textos que priorize o prazer, o gosto, a fruição. Sobre dos dados relativos à qual gênero textual que mais agrada o professor, tem-se o seguinte resultado: 26% dos pesquisados preferem ler o narrativo, 31% lêem tanto o narrativo como o dissertativo, 43% do total de pesquisados preferem ler p gênero narrativo, ou seja, o maior número de professores. Dados da pesquisa apresentam um sujeito-leitor-professor que lê jornais, tanto regionais como os de grande circulação. Para se informar dos assuntos da atualidade costuma ler a Revista Veja. Utiliza-se do computador com freqüência, para realizar suas pesquisas pessoais ou para os trabalhos de casa dos filhos consulta sites de pesquisa e a maior porcentagem consulta o google. Das respostas apresentadas , percebe-se que de maneira geral os professores visitam sites de pesquisa e deixam claro isso em seus enunciados, como em : P1- Google, Yahoo. Para pesquisar e atualizar as pesquisas. P4- Google, terra- (pesquisas) P12- educação-profissional Google – profissional P19- Wikipédia/Google para atualização e para realizar pesquisas. Seja via argumentação implícita ou através de enunciados com a argumentação bem definida , como se observou nos exemplos, destacados, o professor procura os sites para pesquisa. Fica evidente que estas pesquisas podem ser para preparar aulas, autoconhecimento, conhecimento profissional, atualização. Há também professores que se posicionam como sujeitos de seus discursos, como nos exemplos abaixo: P7- “Ah! São muitos! Por entretenimento, para ampliar conhecimentos.” P15-“Se eu precisar utilizo sites de pesquisa literária.” P31- “Visito sites variados com a intenção de buscar a pesquisa mais completa.” P2 – “Educação, de, Google. Buscar informação, atualizando-me. Dos quatro sujeitos pesquisados: P7, P15, P31 e P2, somente um entrevistado cita o nome dos sites que visita. Este sujeito, desenhado neste quadro, é aquele que vive a fazer pesquisas, quando utiliza a internet, mas que tipo de pesquisa?. Já P6 não cita os sites visitados, mas relaciona os temas que procura, observe no exemplo: P6-“temas transversais (ética, cidadania, etc.)- formar cidadãos críticos, atividades lúdicas – facilita o processo de ensino-aprendizagem.” Os dados apontam que os professores são freqüentadores assíduos de sites de internet, e a maior incidência de visitas são os sites de pesquisa, no entanto o que se observa é que os professores costumar freqüentar sites como Orkut, MSN, dentre outros que estão relacionados a interação no espaço virtual que não foram citados como resposta na presente pesquisa. Os professores pesquisados lêem de 4 a 5 livros por ano, número igual ao dos países desenvolvidos. Quando perguntados se estavam lendo algum livro atualmente: 86% disseram que sim e apenas 14 disseram não estar lendo nenhum livro. Os livros de auto-ajuda e best-sellers obtiveram o maior índice. Os resultados relativos à questão sobre “qual livro os professores estavam lendo” as respostas apresentadas conforme exemplos abaixo. Percebe-se alguns pontos que parecem pertinentes para a formulação do perfil: apenas oito entrevistados citam os autores dos livros, tais como: P2 – “Mediunidade – Herculano Pires.” P12-“Viagem ao centro da terra – Júlio Verne.” P14- “Teoria Psicogenética de Wallon (Vigotsky, Piaget) em discussão.” Formação de Professores – Imbernon e Cipriano Luckesi P28- “Como contornar situações difíceis em sala de aula - Jairo de Paula.” P29- “O ensino da literatura – Wilson Roberto Cereja.” P30- “Cem melhores contos do século/Contos de Lya Luft.” P31- “Vidas Secas de Graciliano Ramos.” P34-“Retrato – Ruben Alves.” Outro ponto relevante desses sujeitos-pesquisados, dois professores estão lendo livros ligados à questão profissional ou ao aperfeiçoamento, dos seis entrevistados restantes: 3 títulos da literatura clássica e três de auto-ajuda. Já no total de pesquisados, 10 professores lêem best-sellers, ou títulos muito divulgados e valorizados pela mídia. Apenas cinco professores lêem os clássicos, seis sujeitos lêem livros voltados para a religiosidade e cinco não estão lendo nenhum livro. Ficando evidente a influência da literatura de massa nas escolhas e da grande influência da mídia, principalmente de jornais e revistas que trazem uma intensa divulgação e propaganda de fontes de leituras. A opção pela análise do discurso vem da possibilidade de observar , de identificar nos discursos do professor a presença do sujeito, ou seja, observar se o sujeito-professor responde objetivamente ou se coloca no discurso via enunciado. Mesmo na aparente neutralidade das respostas objetivas, procurou-se observar se a resposta vem da imagem que ele(professor) faz de si ou é influenciado pela imagem que faz do pesquisador, pois o conceito de formação discursiva norteia a referência a interpelação-assujeitamento do indivíduo em sujeito do seus discurso, definindo o que pode ser dito por um sujeito-professor. No caso, esse conceito possibilita o fato de que sujeitos falantes, tomados em uma conjuntura histórica determinada, possam concordar ou se afrontar sobre o sentido a dar às palavras, conforme Brandão(1991,p.63) Para Brandão (1991,p.62) a idéia de que o sentido assim como o sujeito não são dados a priori, isto é na expressão de Pêcheux(1975:119), não são “toujours déjàdonne” , mas são constituídos no discurso, descartando –se uma concepção de partida ou ponto de aplicação”. Pêcheux contrapõe a toda a uma filosofia idealista da linguagem atravessada pela “evidência da existência espontânea do sujeito (como origem ou causa em si)” pela “evidência de sentido”, a questão de uma constituição do sentido e do sujeito a se processar simultaneamente através da interpretação ideológica. O professor como qualquer sujeito não se constitui fora de seu discurso, mas é constituído no discurso, em função disso o objeto da pesquisa foi o professor, mas a constituição deste sujeito se fez segundo a sua própria enunciação. O perfil de leitor do professor não foi dado pelo pesquisador, mas pelo sujeito professor , autor de seus próprios discursos e construtor de sua própria prática de leitura. Considerações finais O momento atual está repleto de profundas transformaçãoes que provocam mudanças em todas as áreas do conhecimento e da sociedade, tanto na economia, quanto na política, no mercado de trabalho, na educação , na vida cotidiana. O professor e sua profissão também são afetados por estas transformações. O professor vive uma nova realidade, as identidades pessoais e profissionais passam por transformações contínuas e as práticas de leitura foram afetadas e os leitores também ,principalmente o professor que não pode mais se furtar do conhecimento das novas máquinas informacionais , dos novos suportes textuais que aparecem a cada dia. A sociedade mudou muito nas últimas décadas, o valor do saber via escolarização também se transformou, em outras épocas quem tinha livro em casa , freqüentava a escola básica, possuía um status social, eram bem, considerados. Hoje o quadro mudou, não basta uma escolarização considerada mínima oferecida pela instituição X, a valorização passa pela legitimação da sociedade, é o licenciado pela escola Y que é valorizado, é o professor da escoa ou instituição XY que vale mais. O saber está aliado ao poder, ao valor, transformou-se em moeda corrente e as profissões também sofreram alterações há necessidade de um investimento contínuo na formação que não termina na graduação. O perfil de leitor encontrado na pesquisa realizada com professores de Língua Portuguesa da Rede Pública de Mogi das Cruzes revela um professor-leitor plural, interativo, dentro das tipologias contemporâneas. Conforme a hipótese lançada no início deste estudo se o perfil de leitor encontrado não condiz com o perfil esperado para o profissional da linguagem, faz-se necessário construir ou reconstruir este perfil através de uma formação acadêmica que dê mais atenção em seus currículos para a formação da competência leitora e escritora e sirvam de sugestões para elaboração de cursos de educação Continuada. Os dados da pesquisa revelam um professor que realiza leituras profissionais, tem a leitura como valor. De maneira geral falta um planejamento e até mesmo uma valorização do sujeito-professor das leituras que realiza. Há muitos interditos criados para inibir e até coibir as leituras dos professores, reconhece-se e admite-se a precariedade dos cursos de formação de professores, mas há sujeitos que rompem com todos os nãos e se tornam profissionais competentes e de respeito, que são referências para seus colegas. O perfil de leitor encontrado mostra um profissional preocupado com a formação de seus alunos, com sua formação, mas adentrar os muros da escola se vê engessado e não mais consegue perceber a leitura como prática significativa para si no seu dia-a-dia. Referências bibliográficas ANDRADE, Ludmila Thomé de. Professores-leitores e sua formação:transformações discursivas de conhecimentos e saberes/Ludmila Thomé de Andrade- Belo Horizonte: Ceale:Autêntica, 2004. BRANDÃO, Helena H. Nagamine. 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